CRÔNICA: Causos dos becos do Mercado Público de Serra Talhada
Fotos: Mannu Silva
Oh a banana, três por cinco! Coentro é um real! É hoje, é hoje! Seu Zé recita afoito as ofertas e promoções do dia para a freguesia que se aperta ligeira nos bequinhos estreitos do Mercado Público de Serra Talhada.
A primeira banca de verduras e frutas exibe orgulhosa uma montanha amarela de bananas de várias diversidades.
Amanhece o dia com promoção e no início da tarde, antes de encerrar a venda, a queima de estoque baixa ainda mais o preço.
Mais a frente, adentrando o centro popular de compras pela porta principal, chega o distinto box de bugingangas do Cição, arrodeada de 'dotozinho', hidratação, alho, temperos, cordas, coleiras, carregador de celular, cocada, cajuína, itens de decoração e mais.
Cição é um robusto e simpático vendedor do recinto, querido por todos e conhecido por suas histórias. Em meio aos negócios, solta uma anetoda ou um relato de mesa de bar para divertir os clientes e transeuntes.
Das mais engraçadas piadas, o caso é lembrado da sua santa vozinha falecida. Contou que estava reunido com uns cinco amigos bebericando um litro de cana e conversando pileras.
De repente uma nostalgia tomou de conta do comerciante do povo, as lágrimas rolaram pelo rosto e os soluços secos travaram sua garganta. O resto do grupo de ébrios acompanharam a lamúria, não aguentaram ver o sofrimento do amigo.
No momento seguinte, uma viatura de polícia passou e viu a cena lamuriosa, parou para tentar entender o que acontecia. - O que está havendo aqui pessoal?, questionou um oficial.
- A vó do rapaz aqui que morreu, senhor!, respondeu um do grupo apontando para Cição. O policial se dirigiu a ele desejando condolências e solidariedade. - Ela estava doente?
O vendedor soltou dois soluços, enxugou os olhos e se esforçou para explicar ao PM. - Seu Guarda, ela morreu tem 20 anos, é que hoje me deu uma lembrança dela e não aguentei segurar o choro.
O policial saiu do canto revoltado, xingando Cição de tudo, menos de santo. E a choradeira continuou regada de cana e coca-cola.


Parabéns, muito bem escrito
ResponderExcluirBastante engraçado, diguino de pena!...
ResponderExcluirO policial se arretou porque o mesmo, não conheceu gera de mané lourenço
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